Voando com um balão só
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Sobre o que não vai voltar.
Hoje, mais uma vez, me peguei pensando na fragilidade dos relacionamentos que um dia cheguei a pensar que fossem durar uma vida. No auge da paixão, não é difícil imaginar qual será a cor do nosso sofá, do piso do banheiro ou que queremos um nome diferente pros nossos filhos. Mas, e depois que acaba? O que resta? São só lembranças daquilo que foi bonito e ficou com toda força. Não é incomum, no meio de um dos meus vários devaneios diários, uma lágrima escorrer de saudade. Saudade das ligações de madrugada depois de um pesadelo, das tardes de sábado deitados no chão da sala, saudade da parceria e do companheirismo que sempre foram enormes. Saudade de fechar os olhos, deitar a cabeça no teu peito e saber que vai ter alguém ali, me segurando como se eu fosse a coisa mais importante do mundo, velando o meu sono e quando eu acordar vai me dizer que eu parecia um anjo dormindo. Saudade do que passou e não vai mais voltar, mas vai estar sempre aqui, guardado dentro de mim junto com toda a beleza da história que eu tenho pra contar.
Sobre o amor que me ensinou a voar.
Quando eu digo que quero você longe, enxergue além do que você sente. Porque você bem sabe, o menos que eu digo é o muito que eu te desejo. Vai, vai pra bem longe, menina. Talvez tudo não seja só isso aqui que a gente está vendo agora, e você pode desvendar o mais, o mais, o mais que existe por aí. Sim, é de quando você se joga na vida que eu tô falando. Porque mesmo com medo, eu gosto, viu?! Eu gosto de ver tuas artimanhas, enquanto você sobe, enquanto você desce. Fico observando aqui de longe, quietinha, porque eu sei que você, mesmo sem perceber, sabe voar. Eu gosto de te ver crescendo a cada dano, a cada pena que você deixa cair, porque eu sei e entendo que viver é isso. Viver, além de acertar, é perder a hora, perder a chave, é quebrar o vidro e derrubar o balde. Viver é se cortar, cicatrizar, rever e evoluir. Saiba menina, além de gostar, eu confio em você. Porque você é tudo aquilo que quer ser, e também muito mais do que acha que pode ser. Sim, você é e pode ser tudo aquilo que quiser. E é por isso, somente por isso, que sem me preocupar, te deixo voar.
O poema mais bonito que eu já li
Oito dias.
Esse foi o tempo que levei para entender que ele realmente tinha ido embora.
Era a porra de um domingo qualquer. Ele estava com seus braços compridos em volta da minha cintura e me olhava por entre os cabelos com malícia contida. Eu amava aquela cara. Bem verdade, eu amava muito aquele cara. A pizza chegou e ele se sentou mais quieto do que o habitual. Eu amava o silêncio dele. Ele era um desses homens que sorriem mais e dizem pouco. Quando fala, tem muito a dizer, mas é sucinto. Confesso que tinha medo desse silêncio, pois achava que ele sempre tinha algo a dizer, mas não dizia.
E eu tinha razão.
Entre uma garfada e um gole de coca, ele explodiu em lágrimas. Eu perguntei o que havia e ele não dizia nada. Ele nunca dizia nada. Já tinha visto ele chorar uma infinidade de vezes, e todas as vezes eu me aninhava no seu abraço e a gente estendia a noite, mas dessa vez ele rejeitou meu toque. Eu, burra, não percebi a indireta. As lágrimas estavam um pouco mais compulsivas e os olhos grandes e escuros logo ficaram vermelhos. Ele se levantou.
— Não dá mais. Não aguento mais. Chega.
E saiu, sem mais nem menos. Dei de ombros, continuei mastigando a pizza e tudo bem. Era o décimo sétimo ou décimo oitavo teatro desse jeito. No décimo primeiro eu parei de ir atrás. Acho que ele esperava por isso, que eu fosse atrás. Larguei mão e fiquei esperando que a poeira baixasse e ele voltasse, porque ele sempre voltava.
(...)
Oito dias.
Aquele puto não voltou. O silêncio no apartamento sem a sua companhia era ensurdecedor e eu me sentia vazia. Descobri em meio aos lençóis gelados que ele não era só mais uma figurinha para completar meu álbum. Liguei três vezes e só encontrei a caixa postal. Doeu demais e odeio admitir isso. Senti-me em frangalhos.
Queria dizer que Frejat tem razão quando canta que homem não chora nem por dor, nem por amor. Mas só que não.
Oito dias.
E nada do poema mais bonito que eu já li voltar.
Esse foi o tempo que levei para entender que ele realmente tinha ido embora.
Era a porra de um domingo qualquer. Ele estava com seus braços compridos em volta da minha cintura e me olhava por entre os cabelos com malícia contida. Eu amava aquela cara. Bem verdade, eu amava muito aquele cara. A pizza chegou e ele se sentou mais quieto do que o habitual. Eu amava o silêncio dele. Ele era um desses homens que sorriem mais e dizem pouco. Quando fala, tem muito a dizer, mas é sucinto. Confesso que tinha medo desse silêncio, pois achava que ele sempre tinha algo a dizer, mas não dizia.
E eu tinha razão.
Entre uma garfada e um gole de coca, ele explodiu em lágrimas. Eu perguntei o que havia e ele não dizia nada. Ele nunca dizia nada. Já tinha visto ele chorar uma infinidade de vezes, e todas as vezes eu me aninhava no seu abraço e a gente estendia a noite, mas dessa vez ele rejeitou meu toque. Eu, burra, não percebi a indireta. As lágrimas estavam um pouco mais compulsivas e os olhos grandes e escuros logo ficaram vermelhos. Ele se levantou.
— Não dá mais. Não aguento mais. Chega.
E saiu, sem mais nem menos. Dei de ombros, continuei mastigando a pizza e tudo bem. Era o décimo sétimo ou décimo oitavo teatro desse jeito. No décimo primeiro eu parei de ir atrás. Acho que ele esperava por isso, que eu fosse atrás. Larguei mão e fiquei esperando que a poeira baixasse e ele voltasse, porque ele sempre voltava.
(...)
Oito dias.
Aquele puto não voltou. O silêncio no apartamento sem a sua companhia era ensurdecedor e eu me sentia vazia. Descobri em meio aos lençóis gelados que ele não era só mais uma figurinha para completar meu álbum. Liguei três vezes e só encontrei a caixa postal. Doeu demais e odeio admitir isso. Senti-me em frangalhos.
Queria dizer que Frejat tem razão quando canta que homem não chora nem por dor, nem por amor. Mas só que não.
Oito dias.
E nada do poema mais bonito que eu já li voltar.
Sobre uma noite sem luar,
Te pedir pra ficar é pedir muito? Querer que tu cumpras todas as promessas é pedir muito? Te pedir pra não me deixar é pedir muito? Querer continuar a vida ao teu lado é pedir muito? E os nossos sonhos? E os nossos planos? E a nossa vida? E a nossa casa? E a nossa cama? E o teu cheiro no travesseiro? E essas alianças nos nossos dedos? E teu abraço no meio da noite? E o teu sorriso pela manhã? E nossa música? E você sem mim? E eu sem você?
Assinar:
Comentários (Atom)